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Após frieza em reunião, Fiba decide futuro do basquete brasileiro em Hong Kong.

Maio 02 / 2017

Suspensa pela Fiba desde novembro, a Confederação Brasileira de Basketball terá em Hong Kong, na madrugada nesta quarta-feira, mais uma rodada decisiva de conversas sobre a situação da modalidade no Brasil. Fora das competições internacionais desde o ano passado e asfixiada financeiramente por conta do bloqueio imposto pela Federação Internacional de Basquete, a nova diretoria da CBB está confiante de que conseguirá dobrar a entidade e trazer de volta o Brasil ao cenário. O último encontro com a Fiba, porém, não foi tão animador e não deu qualquer pista sobre o que irá acontecer na Ásia entre quarta e sexta-feira, quando também serão discutidas o desenvolvimento das federações internacionais, o novo sistema de competição, o basquete 3x3, entre outros.

Na última semana, a cúpula da CBB foi até Mies, na Suíça, para participar de um evento com membros da Fiba, entre eles o secretário-geral Patrick Baumann. Apesar do tom positivo, os dirigentes brasileiros deixaram o encontro sem qualquer noção do que irá acontecer com o basquete brasileiro nesta semana. Não há a certeza de que a suspensão será retirada. A Fiba indagou o presidente Guy Peixoto sobre diversas questões financeiras e de gestão. A Chapa Transparência, vencedora do pleito em 10 de março, respondeu a todas as perguntas, mostrou a auditoria contratada para levantar os débitos e supostas fraudes da antiga direção, a volta dos campeonatos de base e a nova organização da confederação. Do outro lado, a Fiba tratou com frieza as informações e não deu qualquer retorno, positivo ou negativo.

- A Fiba parece um livro de Kafka (escritor alemão considerado de difícil leitura). Perguntaram uma porção de coisas. Responderam tudo e mais um pouco. Mostraram as ações. Eles, no entanto, nos trataram com frieza. Não falaram nada. A esperança é o fato de que estamos disputando a última vaga da Copa América com o Paraguai - disse uma fonte ouvida pelo site.

A questão da Copa América é, inclusive, o que dá uma injeção de ânimo à CBB. O evento, que acontece entre 25 a 27 de agosto, teve suas chaves sorteadas no último mês e a última vaga do Grupo A, que seria do Brasil, ainda não foi preenchida. Em um primeiro momento, a Fiba informou que ela seria repassada para outro país por conta da suspensão brasileira. Mais tarde, no sorteio, a chave ficou definida com México, Colômbia, Porto Rico e Paraguai ou Brasil. Ou seja. A entidade ainda trabalha com a possibilidade do Brasil ter sua suspensão revogada, assim, poderia disputar o torneio.

Procurada, a Fiba voltou a citar que não dará qualquer informação antes do seu congresso técnico, onde também será oficializada a saída de Jose Luiz Saez, espanhol que era responsável pelo elo entre a CBB e a Fiba, numa espécie de auditoria interna da entidade que culminou com a suspensão brasileira. Saez, ex-presidente da federação espanhola de basquete, é suspeito de diversos crimes no seu país e responde a processos, o que culminou na sua saída do comitê central da Fiba.

- A decisão será tomada no Congresso da Fiba, em Hong Kong, quando serão analisadas a situação do Brasil e a sua participação na Copa América. Nós não podemos comentar nada além disso antes que uma decisão será tomada a respeito - respondeu a Fiba por e-mail.

CBB vive momento financeiro complicado
Sob nova administração desde 10 de março, a Confederação Brasileira de Basketball esteve nas mãos de Carlos Nunes de 2009 a 2017. Nesse período, a modalidade acumulou problemas e dívidas. O levantamento não é oficial e nem de conhecimento da atual administração, mas a CBB está endividada em cerca de R$ 17 milhões. Não bastasse o problema financeiro, a entidade não renovou em 2016 o patrocínio com o Bradesco, e com a suspensão da Fiba não pode receber a verba da Lei Agnelo Piva, repassada pelo COB no valor de R$ 3.467.205,08 em 2017. A única verba é vinda da Nike.


G1

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