BRASIL

Maranhense que chefiava tráfico na Rocinha é presa no Rio

Outubro 11 / 2017

Uma operação da Polícia Civil resultou, na tarde dessa terça-feira (10), na prisão da maranhense Danúbia de Souza Rangel, mulher do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, mais conhecido como Nem da Rocinha, na Ilha do Governador, zona norte do Rio.

Danúbia, natural da cidade de Perim Mirim (MA), estava na casa de uma amiga, na Rua Carlos Magno, um dos acessos ao Morro do Dendê. Segundo agentes que efetuaram a prisão, Danúbia não quis dar muitas declarações. Disse apenas que tem poucas informações do marido, já que não podia visitá-lo por estar foragida, e que não sabe praticamente nada da guerra da Rocinha. Segundo os policiais, Danúbia estava sendo monitorada há um mês. Há duas semanas, Danúbia conseguiu escapar de uma operação na comunidade Vila Pinheiros.

Ela é um dos principais pivôs da guerra entre traficantes que atinge a comunidade da Rocinha desde o dia 17 de setembro. Naquele dia, criminosos ligados a Nem tentaram invadir a favela, para retomar o controle, após Danúbia ter sido expulsa do local pelo ex-segurança de Nem, o traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157.

A maranhense era quem dava as ordens no tráfico, a mando de Nem, até perder o poder para Rogério 157. Por causa da guerra entre os dois grupos, o governo federal autorizou o envio de tropas das Forças Armadas para reforçar as operações das polícias Civil e Militar.

De acordo com a Secretaria de Segurança, Danúbia foi condenada a 28 anos de prisão por tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa. Ela foi levada para a Cidade da Polícia para o cumprimento de mandado de prisão e para ser ouvida pela Delegacia de Combate às Drogas da Polícia Civil. O Portal dos Procurados do Disque-Denúncia divulgou o perfil de Danúbia, ligada à facção Amigo dos Amigos (ADA).

Em março deste ano, após ser absolvida em um processo por associação ao tráfico de drogas, assim como o Nem da Rocinha, Danúbia Rangel foi colocada em liberdade. Ela estava presa desde 2014.

A denúncia apontava que Nem ainda chefiava o tráfico mesmo estando preso em um presídio de segurança máxima fora do Rio, enquanto a mulher estaria recebendo informações durante a visita ao traficante e repassando para aliados na comunidade. Uma semana após a absolvição, Danúbia foi condenada a 28 anos de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa. Sobre o crime de corrupção ativa, Danúbia foi condenada por pagar propina a policiais para que fornecessem informações sobre a movimentação deles no interior da comunidade, o que facilitava o tráfico de drogas e evitava enfrentamentos.

Os delegados Marco Aurélio Ribeiro, da 52ª DP, e Vinícius Miranda, da 39ª DP, que participaram diretamente da operação de captura, disseram que a prisão de Danúbia ajuda a quebrar a linha de comando da organização criminosa que ela integra. Segundo eles, ela foi presa na rua, dentro de um carro, e não esboçou reação. Danúbia estava escondida no apartamento de uma amiga, na Ilha do Governador, perto da favela do Morro do Dendê.

Danúbia Rangel foi solta pelo desembargado Siro Darlan em março do ano passado, que passou, então, a ser foragida após ser julgada e condena, e nunca mais foi presa.

Em abril deste ano, o advogado de Danúbia entrou com pedido de prisão domiciliar. O objetivo era que ela deixasse de ser foragida e passasse a cumprir a pena em casa.

Três desembargadores da 7ª Câmara Criminal avaliaram o caso. Dois foram contrários. Apenas Siro Darlan votou a favor da prisão domiciliar.

Siro Darlan já havia sido responsável pela libertação de oito traficantes da quadrilha de Nem envolvidos na invasão em 2010 do Hotel Intercontinental, em São Conrado. Um deles era Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que agora tenta assumir o comando do tráfico de drogas na Rocinha.

 


Por: Lene Alves (Rádio Notícia Maranhão)

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